domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mármore Branco

   Não sei por que ainda estou aqui...
   Se você já me disse tantas vezes que nada sou e nada represento mais para ti...
   Deixei de ser quem era, por tanto sofrer...
   Fiz-me mármore, fria, pálida, endurecida pela dor...
   Procuro diariamente aquele colo que me aquecia...
   Aquelas mãos que me acariciavam com tanta ternura e carinho...
   Onde se perdeu todo aquele fogo que me incendiava?
   Para onde foram todas aquelas palavras doces e gentis que me faziam crer no amor?
   Será que aquele ser que me inspirava a cantar se foi?
   Por que você me proibiu de sonhar?
   Aqui está frio, minha cama se tornou uma lápide de mármore branco gelado...
   Por onde anda aquele anjo que me fazia ter a certeza de ser o ser mais amado do planeta?
   Procuro incessantemente aquela mão estendida que me salvou do abismo...
   Onde está a minha outra asa? 
   Já não consigo mais voar...
   Amordaçaram-me a boca...
   Cegaram-me os olhos...
   O meu coração sangra negro...
   Meu peito dói em agonia...
   Eu grito, mas não me ouves...
   Não atendes aos meus apelos...
   Você diz chorar de dor...
   Mas quem está morrendo é o amor...
   Suas palavras são duras...
   Suas atitudes mortais...
   Vejo-te a distância...
   Cortaram-me as mãos, não posso te tocar...
   Vejo meu coração em pedaços...
   Espalhados por um chão, que já não posso mais caminhar...
   Será este o fim deste que um dia foi vulcão?
   Se tornar mármore branco e nele se enterrar?

Amelie Silveira


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